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Papo de Quarta

Enquanto o bom senso não entrar em campo, o futebol brasileiro não tem solução

Nas últimas semanas temos visto muitos fatores relacionados a volta de público no futebol brasileiro, algumas prefeituras que já liberaram públicos, mesmo que parciais, outras que ainda não liberaram em virtude da pandemia de covid-19 ainda estar com alto número de casos.

O que deveria ser um retorno organizado e de forma isonômica, onde todos teriam o mesmo direito, para que nenhum clube obtivesse vantagem sobre o outro, vem sendo quebrado e simplesmente ignorado em alguns casos.

O que vemos alguns clubes fazendo, como Flamengo, Atlético-MG e Cruzeiro, é uma falta de empatia e de bom senso, buscando ter vantagem sobre os outros clubes que ainda não tem essa liberação por parte da “sua” cidade.

O que Flamengo e Atlético-MG estão fazendo para poderem ter público em seus jogos pela Libertadores, é de uma falta de empatia e compaixão com os demais clubes, porém, eles têm a “liberação” da Conmebol e das cidades em que realizaram, ou ainda vão realizar os jogos. Mas em torneios como a Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, permanecem sem público. O que o Cruzeiro fez na Série B, buscando recursos junto ao STJD para se sobrepor a uma ordem da CBF é de uma tremenda falta de respeito com os outros clubes que disputam o mesmo campeonato. Já que mesmo com a liberação da entrada de público pela prefeitura, a CBF informou que só deverá homologar jogos após o Conselho Técnico liberar, para que seja de forma igualitária para todos os clubes. Mas o Cruzeiro, infelizmente, por ser maior que a maioria dos clubes que disputam, se achou no direito de “enfrentar” a CBF e colocar seus torcedores para dentro do campo, mostrando que pretende passar por cima de tudo e de todos para tentar voltar a Série A.

Alguns clubes tentaram uma solicitação junto a CBF para que o jogo entre Cruzeiro e Confiança não ocorresse, mas foram informados pela entidade que nada poderia ser feito, uma vez que quem liberou a realização foi o STJD, órgão que está acima da CBF.

Por fim, quero ressaltar as atitudes de clubes como Coritiba e Palmeiras, que tiveram situações parecidas expostas. O Coritiba, que tem o aval da sua cidade e a liberação para colocar seus torcedores dentro do estádio, abdicou desta decisão, já que a CBF ainda não vai homologar jogos com torcidas em virtude da falta de isonomia que isso causaria. Em nota, o clube afirma que a partida com o Botafogo (de suma importância para o clube) nesta sexta-feira (27) será com os portões fechados, indo de encontro ao que está sendo orientado pela CBF. O Palmeiras é outro caso em que o bom senso prevaleceu, já que foi ventilada a possibilidade de mudar de cidade para que se tenha público, o clube se manifestou que irá continuar na sua cidade, jogando em seu estádio (Allianz Parque), e que só terá público quando realmente for liberado pelas autoridades municipais, estaduais, de saúde e da CBF.

O futebol brasileiro ainda tem salvação, mas para que seja uma solução para todos, o bom senso, a empatia, a compaixão e o sentimento de isonomia devem estar presente em todas as tomadas de decisões.

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