Últimas Notícias

Papo de Quarta

Por que uns podem e outros não?

Quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que as disputas realizadas em Tóquio abrangeriam algumas modalidades novas, como caratê, basquete 3×3, surf, skate, escalada esportiva e BMX freestyle, buscou-se atrair a atenção das pessoas mais jovens.

A ideia era tornar a competição, que é a mais assistida em todo o mundo, em algo interessante para a juventude que vem demonstrando, ano após ano, um certo desinteresse pelas disputas. Para se ter uma ideia, a idade média da audiência da TV americana durante a Rio 2016 foi de 53 anos.

Isso preocupou o Comitê Olímpico Internacional que viu na possibilidade de incluir modalidades mais próximas da realidade juvenil uma ferramenta para atrair seus olhares e seu interesse. Por isso, quando Thomas Bach, presidente do COI, resolveu introduzir a política da Agenda 2020, acelerou-se o processo de modernização, que culminou com os debates e a inclusão, em Tóquio, das seis modalidades e o retorno beisebol/softball, que voltou a ser disputado após 12 anos.

A novidade, no entanto, não parou no Japão. Para a Olimpíada de 2024, que será realizada em Paris, na França, estão previstas novas estreias: canoagem slalom extremo, novas provas mistas e ainda o breakdance; mas também a retirada de duas modalidades incluídas nas competições de Tóquio: beisebol e caratê.

A iniciativa para atrair o público jovem é bastante louvável, mas considero pertinente questionarmos sobre a inclusão de certas modalidades em detrimento de outras. Um exemplo é o breakdance (que é um dos elementos da cultura hip hop), que tem sua importância e relevância, principalmente para as zonas periféricas de várias cidades, mas que fica a dúvida sobre ser considerado um esporte.

O questionamento se estende para uma modalidade criada na América do Sul, mais especificamente no Uruguai, e muito queridinha no Brasil, que é o futsal. O esporte, que é berço de grandes atletas do futebol de campo, cumpre todos os requisitos para ser incluído na categoria esporte olímpico, mas esbarra, justamente, em uma guerra de interesses entre o COI e a Fifa.

Assim, podemos perceber que a inclusão ou retirada de uma modalidade da maior competição esportiva da Terra esbarra, portanto, em uma disputa política. O que devemos lamentar, uma vez que percebemos que a competição saudável, que surgiu na Grécia Antiga como forma de homenagear deuses e servia como um momento de paz entre os povos – já que durante as disputas as guerras eram interrompidas, chegou, em 2021, permeada de disputas internas.