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“A camisa pesou!”, o argumento mais seletivo do futebol

Noites como a vivida nesta quarta-feira (04) no Santiago Bernabéu ficam para sempre, afinal, buscar uma classificação de dois gols de diferença é um momento único e eterno. Entretanto, é esse tipo de acontecimento que faz o raso argumento do peso da camisa surgir e ganhar ainda mais força.

Falar da grandeza do Real Madrid, é chover no molhado. A sua galeria de títulos, o tamanho da marca, a torcida e o momento, aspectos que definem a grandeza de um clube em relação a si mesmo e aos outros, são enormes, mas só jogam quando o time vence, e não a todo momento. Esse tipo de coisa prova que o tamanho da camisa é a definição de seletividade.

Não é preciso exigir muito da memória para comprovar essa seletividade, na verdade, é só olhar o confronto de Bayern X Villarreal, válido pelas quartas de final dessa mesma Champions League. O duelo na cabeça da maioria das pessoas tinha um vencedor claro, o clube alemão tinha mais orçamento, um elenco com melhor material humano e jogava, até aquele momento, um futebol mais agradável e testado em momentos decisivos. Além de eliminar o poderoso time da Baviera, o time comandado por Unai Emery provou dois argumentos: a célebre frase “Não existe mais bobo no futebol”, e que o peso da camisa só é lembrado quando o time maior vence.

Pensar com esse argumento e utilizá-lo, é tirar totalmente o contexto e os aspectos táticos  e técnicos do jogo. Voltando para o exemplo inicial, a entrada de Rodrygo pesa, a atmosfera do estádio e as mudanças defensivas feitas no momento errado por Pep Guardiola tem influência, assim como a “casca” dos jogadores do City. Mas, a camisa? O que os títulos vencidos no final da década de cinquenta pelo time da capital espanhola interferem no duelo? Isso mesmo, nada.

Enxergar um oceano cheio de ideias e vidas como é o futebol de maneira tão superficial é de certa forma deprimente, é basicamente jogar no lixo todos os aspectos que o tornam tão mágico.